- Bom... Estamos aqui novamente para falarmos sobre isso,
minhas notícias não são as melhores, mas creio que temos como reverter isso...
– Com essa frase damos razão a toda história, essa frase é um mistério em si, e
cada um pode interpretá-la de sua forma.
É claro que depois de ouvir algo tão cruel quanto aquilo,
Emily ficou sem reação, e não tinha ideia alguma do que fazer para conseguir o
que ela precisava, que era o dinheiro para poder reverter aquela situação.
- Vamos... Me atende... – Ela estava a poucos momentos de
ficar aos prantos enquanto tentava ligar para a polícia federal aonde ela
trabalhava, ninguém a atendia. Já estava há horas ligando e ligando, sem
resposta alguma, seus joelhos ficando avermelhados por ficarem tanto tempo em
cima do tapete velho de seu apartamento. As suas mãos tremiam com o telefone
nelas, ela estava a ponto de entrar em um estado degradante, não tomava banho
há alguns dias e mal comia, de tão ansiosa que estava.
Depois de tanto não conseguir respostas em suas ligações
decidiu dar-lhe alguns momentos de sanidade para cuidar de si para poder pensar
melhor em algo para fazer para conseguir, tomou um banho, escovou seus cabelos
longos e vermelhos, e como sempre, caindo bom chumaços de fios. Isso a afetava,
mas passou a não afetar depois que ela aprendeu a se acostumar com aquela
triste situação, preocupar-se com aquilo só atrapalharia, ela tinha problemas
maiores para resolver, como ela arranjaria tanto dinheiro, em tão pouco tempo
que ela tinha para seu “prazo”.
Pegou um papel e fez uma lista, um tanto grande, de formas
de ganhar o dinheiro em pouco tempo, em ordem, da mais provável, para a quase
impossível, mas era a mais impossível que mais lhe chamava a atenção. “Matar
por aluguel”. Apesar de já ter matado várias pessoas antes, aquilo pulsava
negativamente em seu cérebro, ela matava pessoas criminosas, condenadas a
morte, e que não haveria outro fim, a não ser aquele. Mas ela horrível aquela
opção, matar alguém apenas pelo beneficio do outro, sem outra razão alguma a
não ser egoísmo.
A poucos quilômetros de distancia dela estava ele, sua
vitima, em um tédio infinito durante uma festa da família de sua namorada de
contrato, por honestidade ele se recusava a quebrar aquele contrato, e não por
falta de vontade, e também porque ele não sairia nada bem daquela situação se
simplesmente resolvesse desistir sem razão alguma.
- Bom... Querido namorado... – Sua ironia aflorava a cada
frase dita, mas apenas Zack se dava conta de tanta mentira, tomou uma grande
quantidade de ar para dentro de seus pulmões e a respondeu com a mesma doçura e
ironia:
- Fale-me, melhor namorada do mundo, quer dizer: melhor
noiva do mundo...
- Não precisa ser tão cínico Zack... – Ela havia se irritado
um pouco, mas ele pouco se importava. Ele passou sua mão direita pela sua nunca
e a agarrou para um beijo violento e proposital. Paula odiava aquilo, mas era a
única forma que Zack aceitava beijá-la.
- Vocês devem estar cansados... – Mãe de Paula se aproximou
de ambos e começou a conversar – Não tem problema se vocês quiserem ir pra
casa, descansar um pouco, ficarem um pouco mais a vontade, se quiserem... – E
claro que ninguém mais além deles e dos contratantes sabiam do namoro forçado. Zack
se animou com aquela possibilidade de se livrar daquela situação e antes que Paula
pudesse dizer não, disse sim.
- Eu quero ficar mais um tempo com a minha mãe Zack... – Paula
reclamou enquanto segurava com força no colarinho da camisa de Zack, ele apenas
sorriu ironicamente, tirou as mãos delicadas de Paula de sua camisa e
respondeu:
- Eu pouco me importo... – Pausadamente, palavra por
palavra, e aquilo cada vez mais irritava Paula, que estava sufocada com aquela
situação, e ficada cada vez mais desconfortável por culpa da ironia infinita
que conseguia caber tanto nele, quanto nela.
- Você vai me levar pra minha casa, e nos encontramos na
quarta-feira novamente, como já havíamos combinado... – Ela cruzou os braços e
lhe avisou com um ar superior a ele, ele apenas riu baixo e revirou os olhos,
olhou sério para ela.
- Eu pouco me importo garota... – Ele só era tão cínico e
ignorante com Paula, pois ela sempre havia sido insensível em relação ao que
ele queria, e já estava mais que cansado daquela situação.
- Eu só quero que essa situação de contrato e namoro de
mentira não seja uma experiência tão desagradável pra mim, então queira
colaborar e pare de ignorância comigo... – Ela não descruzou os braços, mas
enquanto falava evitada manter contato visual com Zack.
- Você se importa mais que eu com toda essa situação... –
Ele suspirou fundo e falou – Porque você precisa de mim, mas eu não preciso de
você... – Ele riu baixo novamente, ela bufava de raiva.
Ao se recompor do seu estado de nervos e fúria, Paula tocou
o rosto com a barba mal feita de Zack com sua mão esquerda e sorriu.
- Se eu pudesse eu acabava com você... Mas olha... – Ela riu
ironicamente ao fazer uma curta pausa – Eu infelizmente não posso...
- Digo o mesmo em relação a mim... – Ele riu novamente, e
então ambos voltaram a encenar um casal perfeito e saíram da casa da mãe de Paula
de mãos dadas até chegarem ao carro que pertencia a Paula, mas em boa parte do
tempo, Zack era quem dirigia.
Enquanto ele dirigia a longa avenida em direção à casa de Paula,
ela apenas ficava fixada no seu celular enquanto lia algo, Zack não prestava
atenção no que ela estava fazendo pois se preocupava mais em dirigir.
Aquela frase que ela mesma disse. “Se eu pudesse eu acabava
com você”. Aquela frase feita ecoava vários pensamentos ruins, mas que para Paula
não eram tão ruins quanto para uma pessoa normal, como você e eu.
O celular de Zack começou a tocar loucamente, no toque que
mais irritava Paula, ele sabia disso, e fazia aquilo propositalmente.
- Me dá o seu celular... – Ela ordenou, ele não tirou os
olhos da estrada e as mãos do volante.
- Me dá liberdade, então, ambos não temos o que queremos,
então cala a sua boca e me deixa dirigir... – Ele pediu aos berros como quem
estivesse querendo se aliviar do estresse.
- Me dá essa merda desse celular... – Ela tentava tirar o
celular do bolso de Zack, mas ele não facilitava nada para ela – Você sabe que
eu odeio essa sua música de merda, com essa sua banda de merda, tira o som
dessa porcaria de celular...
- Vai se ferrar garota, me deixa em paz... – Paula
continuava sem êxito algum a tirar o celular de Zack de dentro do seu bolso, e
quando estava prestes a cair, Zack deu uma freada brusca e bateu de frente com
um carro, pois ele mesmo no meio daquela briga com ela não havia se dado conta
de que havia mudado de pista.
A fumaça saia sem controle de ambos os carros, até que a
motorista do carro da frente se deu conta de que seu carro havia começado a
pegar fogo, e ficou ali em pé e sem muito resultado ao tentar apagar o fogo
sozinha com seu extintor de incêndio.
Zack saiu correndo do carro com seu extintor em mãos, e no
desespero conseguiu ajudar a acabar com o fogo que começava a se formar ali.
Ambos respiraram aliviados. Ela sorriu de relance por culpa de seu alívio e o
pouco o que Zack conseguiu ver por culpa da fumaça, não conseguia mais parar de
olhar para o seu rosto.
E o mesmo para Emily, que ficou concentrada nos olhos deles,
sem razão alguma.
- Emily... – Ela se apresentou a ele, seguidamente de outro
sorriso enorme em seu rosto, ela completou – Emily Parker... – Eles deram um
aperto de mão amistoso.
- Zack... – Ele riu – Zack Monroe... – E completou, assim que
a fumaça que ainda restava se dissipou no ar Paula viu ambos. Ela correu para
fora do carro e abraçou Zack pelo pescoço.
- Meu deus... Eu fiquei estática, muito preocupada com você...
– Ela suspirou ainda abraçada em Zack, ele se soltou dela e a olhou irônico.
- Sei... – E aquele desconforto pairou sobre o ar por apenas
alguns segundos, quando finalmente Emily resolveu se apresentar para Paula. Ela
esticou sua mão direita em direção à mão de Paula, e sorriu.
- Meu nome é Emily... A dona do new beatle que provavelmente
deu perda total ali... – Ela não queria aparentar nervosismo, mas seus nervos
explodiam como fogos de artificio, e ela agradecia por conseguir se conter.
- Eu sinto muito, se você quiser eu posso pagar o conserto,
ou até mesmo lhe comprar um carro novo, você pode decidir... – Ele não entendia
o porquê, mas queria com todo o seu ser resolver aquela situação e não deixar
Emily com problemas, ele aparentava nervosismo, e Paula carregava um mix de
nervosismo e um tanto de raiva.
Emily? Mantinha-se indiferente, tentando não revelar
qualquer reação negativa ou positiva em relação aquilo, como sempre fazia com
qualquer situação.
- Você não precisa se preocupar, eu não estava muito bem e
acho que perdi um pouco meus sentidos por causa de um remédio que eu tomei, não
deveria estar dirigindo, então não se preocupe, também estou errada... – Emily
falava calmamente, apesar de não estar nada calma por dentro.
- O carro é meu, então o problema é meu... – Paula se
intrometeu autoritariamente – Zack... – Ela fez uma breve pausa seguida de um
suspiro – Verifique o carro, creio que não esteja com problemas sérios, e deixe
que eu me entendo com a Emily... – E assim Zack fez, apesar de não querer muito
obedecer Paula, ele sabia que ela estava certa naquele momento.
- Ah, me desculpe, pensei que o carro fosse... – Emily
tentava se desculpar quando foi interrompida por Paula:
- Sem problema... Eu só gostaria de marcar com você outro
horário, outro dia, pois hoje estou sem tempo, eu vou ligar para um motorista
meu, assim ele pode lhe levar para o seu destino, e para mais qualquer que você
queira até eu lhe comprar um carro novo...
- Por mim tudo bem... – Emily respondeu compreensiva –
Espero que o seu carro não tenha se danificado muito... Foi culpa minha também
e... – Novamente ela foi interrompida por Paula:
- Não se preocupe, dinheiro não me falta, eu posso muito bem
comprar-lhe um carro novo, prefiro assim do que o meu rosto e o rosto do meu
namorado estampados em revistas de fofocas...
- Revistas de fofocas? – Emily era apenas uma garota de uma
cidade pequena da Inglaterra, e não conhecia muitas coisas, pois quase toda sua
vida, ou estava estudando, ou estava matando alguém.
- Bom... Não se preocupe com isso... Veremos isso depois...
– Paula continuava com sua pose autoritária, passou a mão pela bolsa à procura
de sua presilha e prendeu seu cabelo.
- Não aconteceu nada demais com o carro, ele só amassou a
lataria... – Zack chegou perto de ambas e explicou a situação. Paula pegou a
mão direita de Zack e colocou na sua cintura, Zack tirou sua mão sem pensar –
Estou no carro, vamos logo... – Ele foi seco com Paula. – Tchau Emily... – E
indiferente com Emily, estava com um tanto de raiva da possessividade de Paula
que nem mesmo era sua namorada de verdade, Paula também havia se irritado com
aquilo, e com amargura se despediu de Emily, que apenas ficou ali na beira da
estrada a espera da sua carona.
O guincho chegou e levou seu carro, mas nada da carona
prometida, seus joelhos doíam e ela não se aguentava mais em pé, quando sentiu
que iria desmaiar, apenas caiu no chão tonta, mas logo foi ajudada por Zack.
- Você está bem? – Ele perguntou preocupado com ela nos
braços, ambos no encostamento da estrada. Ele não sabia o que fazer em relação
a ela, havia ido ajuda-la depois que Paula se recusou a dar carona a uma
estranha.
- Não muito... – Ela respondeu ofegante, tudo girava ao seu
redor, e então ela desmaiou.
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