segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Conto: Caçadora de recompensas

- Bom... Estamos aqui novamente para falarmos sobre isso, minhas notícias não são as melhores, mas creio que temos como reverter isso... – Com essa frase damos razão a toda história, essa frase é um mistério em si, e cada um pode interpretá-la de sua forma.
É claro que depois de ouvir algo tão cruel quanto aquilo, Emily ficou sem reação, e não tinha ideia alguma do que fazer para conseguir o que ela precisava, que era o dinheiro para poder reverter aquela situação.
- Vamos... Me atende... – Ela estava a poucos momentos de ficar aos prantos enquanto tentava ligar para a polícia federal aonde ela trabalhava, ninguém a atendia. Já estava há horas ligando e ligando, sem resposta alguma, seus joelhos ficando avermelhados por ficarem tanto tempo em cima do tapete velho de seu apartamento. As suas mãos tremiam com o telefone nelas, ela estava a ponto de entrar em um estado degradante, não tomava banho há alguns dias e mal comia, de tão ansiosa que estava.
Depois de tanto não conseguir respostas em suas ligações decidiu dar-lhe alguns momentos de sanidade para cuidar de si para poder pensar melhor em algo para fazer para conseguir, tomou um banho, escovou seus cabelos longos e vermelhos, e como sempre, caindo bom chumaços de fios. Isso a afetava, mas passou a não afetar depois que ela aprendeu a se acostumar com aquela triste situação, preocupar-se com aquilo só atrapalharia, ela tinha problemas maiores para resolver, como ela arranjaria tanto dinheiro, em tão pouco tempo que ela tinha para seu “prazo”.
Pegou um papel e fez uma lista, um tanto grande, de formas de ganhar o dinheiro em pouco tempo, em ordem, da mais provável, para a quase impossível, mas era a mais impossível que mais lhe chamava a atenção. “Matar por aluguel”. Apesar de já ter matado várias pessoas antes, aquilo pulsava negativamente em seu cérebro, ela matava pessoas criminosas, condenadas a morte, e que não haveria outro fim, a não ser aquele. Mas ela horrível aquela opção, matar alguém apenas pelo beneficio do outro, sem outra razão alguma a não ser egoísmo.
A poucos quilômetros de distancia dela estava ele, sua vitima, em um tédio infinito durante uma festa da família de sua namorada de contrato, por honestidade ele se recusava a quebrar aquele contrato, e não por falta de vontade, e também porque ele não sairia nada bem daquela situação se simplesmente resolvesse desistir sem razão alguma.
- Bom... Querido namorado... – Sua ironia aflorava a cada frase dita, mas apenas Zack se dava conta de tanta mentira, tomou uma grande quantidade de ar para dentro de seus pulmões e a respondeu com a mesma doçura e ironia:
- Fale-me, melhor namorada do mundo, quer dizer: melhor noiva do mundo...
- Não precisa ser tão cínico Zack... – Ela havia se irritado um pouco, mas ele pouco se importava. Ele passou sua mão direita pela sua nunca e a agarrou para um beijo violento e proposital. Paula odiava aquilo, mas era a única forma que Zack aceitava beijá-la.
- Vocês devem estar cansados... – Mãe de Paula se aproximou de ambos e começou a conversar – Não tem problema se vocês quiserem ir pra casa, descansar um pouco, ficarem um pouco mais a vontade, se quiserem... – E claro que ninguém mais além deles e dos contratantes sabiam do namoro forçado. Zack se animou com aquela possibilidade de se livrar daquela situação e antes que Paula pudesse dizer não, disse sim.
- Eu quero ficar mais um tempo com a minha mãe Zack... – Paula reclamou enquanto segurava com força no colarinho da camisa de Zack, ele apenas sorriu ironicamente, tirou as mãos delicadas de Paula de sua camisa e respondeu:
- Eu pouco me importo... – Pausadamente, palavra por palavra, e aquilo cada vez mais irritava Paula, que estava sufocada com aquela situação, e ficada cada vez mais desconfortável por culpa da ironia infinita que conseguia caber tanto nele, quanto nela.
- Você vai me levar pra minha casa, e nos encontramos na quarta-feira novamente, como já havíamos combinado... – Ela cruzou os braços e lhe avisou com um ar superior a ele, ele apenas riu baixo e revirou os olhos, olhou sério para ela.
- Eu pouco me importo garota... – Ele só era tão cínico e ignorante com Paula, pois ela sempre havia sido insensível em relação ao que ele queria, e já estava mais que cansado daquela situação.
- Eu só quero que essa situação de contrato e namoro de mentira não seja uma experiência tão desagradável pra mim, então queira colaborar e pare de ignorância comigo... – Ela não descruzou os braços, mas enquanto falava evitada manter contato visual com Zack.
- Você se importa mais que eu com toda essa situação... – Ele suspirou fundo e falou – Porque você precisa de mim, mas eu não preciso de você... – Ele riu baixo novamente, ela bufava de raiva.
Ao se recompor do seu estado de nervos e fúria, Paula tocou o rosto com a barba mal feita de Zack com sua mão esquerda e sorriu.
- Se eu pudesse eu acabava com você... Mas olha... – Ela riu ironicamente ao fazer uma curta pausa – Eu infelizmente não posso...
- Digo o mesmo em relação a mim... – Ele riu novamente, e então ambos voltaram a encenar um casal perfeito e saíram da casa da mãe de Paula de mãos dadas até chegarem ao carro que pertencia a Paula, mas em boa parte do tempo, Zack era quem dirigia.
Enquanto ele dirigia a longa avenida em direção à casa de Paula, ela apenas ficava fixada no seu celular enquanto lia algo, Zack não prestava atenção no que ela estava fazendo pois se preocupava mais em dirigir.
Aquela frase que ela mesma disse. “Se eu pudesse eu acabava com você”. Aquela frase feita ecoava vários pensamentos ruins, mas que para Paula não eram tão ruins quanto para uma pessoa normal, como você e eu.
O celular de Zack começou a tocar loucamente, no toque que mais irritava Paula, ele sabia disso, e fazia aquilo propositalmente.
- Me dá o seu celular... – Ela ordenou, ele não tirou os olhos da estrada e as mãos do volante.
- Me dá liberdade, então, ambos não temos o que queremos, então cala a sua boca e me deixa dirigir... – Ele pediu aos berros como quem estivesse querendo se aliviar do estresse.
- Me dá essa merda desse celular... – Ela tentava tirar o celular do bolso de Zack, mas ele não facilitava nada para ela – Você sabe que eu odeio essa sua música de merda, com essa sua banda de merda, tira o som dessa porcaria de celular...
- Vai se ferrar garota, me deixa em paz... – Paula continuava sem êxito algum a tirar o celular de Zack de dentro do seu bolso, e quando estava prestes a cair, Zack deu uma freada brusca e bateu de frente com um carro, pois ele mesmo no meio daquela briga com ela não havia se dado conta de que havia mudado de pista.
A fumaça saia sem controle de ambos os carros, até que a motorista do carro da frente se deu conta de que seu carro havia começado a pegar fogo, e ficou ali em pé e sem muito resultado ao tentar apagar o fogo sozinha com seu extintor de incêndio.
Zack saiu correndo do carro com seu extintor em mãos, e no desespero conseguiu ajudar a acabar com o fogo que começava a se formar ali. Ambos respiraram aliviados. Ela sorriu de relance por culpa de seu alívio e o pouco o que Zack conseguiu ver por culpa da fumaça, não conseguia mais parar de olhar para o seu rosto.
E o mesmo para Emily, que ficou concentrada nos olhos deles, sem razão alguma.
- Emily... – Ela se apresentou a ele, seguidamente de outro sorriso enorme em seu rosto, ela completou – Emily Parker... – Eles deram um aperto de mão amistoso.
- Zack... – Ele riu – Zack Monroe... – E completou, assim que a fumaça que ainda restava se dissipou no ar Paula viu ambos. Ela correu para fora do carro e abraçou Zack pelo pescoço.
- Meu deus... Eu fiquei estática, muito preocupada com você... – Ela suspirou ainda abraçada em Zack, ele se soltou dela e a olhou irônico.
- Sei... – E aquele desconforto pairou sobre o ar por apenas alguns segundos, quando finalmente Emily resolveu se apresentar para Paula. Ela esticou sua mão direita em direção à mão de Paula, e sorriu.
- Meu nome é Emily... A dona do new beatle que provavelmente deu perda total ali... – Ela não queria aparentar nervosismo, mas seus nervos explodiam como fogos de artificio, e ela agradecia por conseguir se conter.
- Eu sinto muito, se você quiser eu posso pagar o conserto, ou até mesmo lhe comprar um carro novo, você pode decidir... – Ele não entendia o porquê, mas queria com todo o seu ser resolver aquela situação e não deixar Emily com problemas, ele aparentava nervosismo, e Paula carregava um mix de nervosismo e um tanto de raiva.
Emily? Mantinha-se indiferente, tentando não revelar qualquer reação negativa ou positiva em relação aquilo, como sempre fazia com qualquer situação.
- Você não precisa se preocupar, eu não estava muito bem e acho que perdi um pouco meus sentidos por causa de um remédio que eu tomei, não deveria estar dirigindo, então não se preocupe, também estou errada... – Emily falava calmamente, apesar de não estar nada calma por dentro.
- O carro é meu, então o problema é meu... – Paula se intrometeu autoritariamente – Zack... – Ela fez uma breve pausa seguida de um suspiro – Verifique o carro, creio que não esteja com problemas sérios, e deixe que eu me entendo com a Emily... – E assim Zack fez, apesar de não querer muito obedecer Paula, ele sabia que ela estava certa naquele momento.
- Ah, me desculpe, pensei que o carro fosse... – Emily tentava se desculpar quando foi interrompida por Paula:
- Sem problema... Eu só gostaria de marcar com você outro horário, outro dia, pois hoje estou sem tempo, eu vou ligar para um motorista meu, assim ele pode lhe levar para o seu destino, e para mais qualquer que você queira até eu lhe comprar um carro novo...
- Por mim tudo bem... – Emily respondeu compreensiva – Espero que o seu carro não tenha se danificado muito... Foi culpa minha também e... – Novamente ela foi interrompida por Paula:
- Não se preocupe, dinheiro não me falta, eu posso muito bem comprar-lhe um carro novo, prefiro assim do que o meu rosto e o rosto do meu namorado estampados em revistas de fofocas...
- Revistas de fofocas? – Emily era apenas uma garota de uma cidade pequena da Inglaterra, e não conhecia muitas coisas, pois quase toda sua vida, ou estava estudando, ou estava matando alguém.
- Bom... Não se preocupe com isso... Veremos isso depois... – Paula continuava com sua pose autoritária, passou a mão pela bolsa à procura de sua presilha e prendeu seu cabelo.
- Não aconteceu nada demais com o carro, ele só amassou a lataria... – Zack chegou perto de ambas e explicou a situação. Paula pegou a mão direita de Zack e colocou na sua cintura, Zack tirou sua mão sem pensar – Estou no carro, vamos logo... – Ele foi seco com Paula. – Tchau Emily... – E indiferente com Emily, estava com um tanto de raiva da possessividade de Paula que nem mesmo era sua namorada de verdade, Paula também havia se irritado com aquilo, e com amargura se despediu de Emily, que apenas ficou ali na beira da estrada a espera da sua carona.
O guincho chegou e levou seu carro, mas nada da carona prometida, seus joelhos doíam e ela não se aguentava mais em pé, quando sentiu que iria desmaiar, apenas caiu no chão tonta, mas logo foi ajudada por Zack.
- Você está bem? – Ele perguntou preocupado com ela nos braços, ambos no encostamento da estrada. Ele não sabia o que fazer em relação a ela, havia ido ajuda-la depois que Paula se recusou a dar carona a uma estranha.
- Não muito... – Ela respondeu ofegante, tudo girava ao seu redor, e então ela desmaiou.

Nenhum comentário:

Postar um comentário