segunda-feira, 18 de agosto de 2025

Era Você o Tempo Todo

         Agora a História sem Título tem um título! E também um blog próprio! Eu poderia facilmente continuar postando os capítulos por aqui, mas uma parte de mim quer manter as coisas em ordem e como não é possível inverter a ordem das postagens aqui no Blogger eu preferi fazer um blog separado para ficar na ordem que eu prefiro. Dito isso fiquem com "Era Você o Tempo Todo", uma história que eu espero que vocês gostem tanto quanto eu gosto de escrevê-la!


Era Você o Tempo Todo

        "No primeiro dia de aula em Pearl Bay, Lily não esperava chamar tanta atenção. Nova na pequena cidade costeira, tudo o que ela queria era se adaptar, fazer amigos e encontrar seu espaço. Mas seu jeito autêntico e diferente logo desperta comentários e provocações — inclusive de Ethan, o tímido astro do basquete que não sabe como lidar com o interesse inesperado que sente por ela.

        Entre ensaios de teatro, jogos de basquete, festas que acabam em lembranças confusas e segredos que ninguém ousa admitir, Lily e Ethan se veem presos em um labirinto de sentimentos que crescem em silêncio. Ele tenta esconder o que sente, ela tenta se proteger das decepções. Mas em uma cidade pequena, onde tudo e todos parecem se entrelaçar, é impossível fugir para sempre.

        Porque, no fim, talvez o destino já tivesse decidido desde o início: era um amor que nunca soube se esconder."


        No blog vocês já podem encontrar mais cinco capítulos além dos que já foram postados aqui, espero vocês por lá!

quarta-feira, 23 de julho de 2025

História sem título – Capítulo 5

Não era a primeira vez que Lily iria sozinha com Mia para a casa dela, mas dessa vez alguma coisa era diferente, pelo menos para Lily. Ela estava apaixonada por Mia e se sentia atraída por ela, fora o fato de que Lily queria completar suas experiências e fazia sentido. Toda a situação parecia fazer sentido e assim Lily teve sua primeira vez, achando que aquilo fora o gesto que faltava para que elas começassem a namorar, mas Mia não pensava da mesma forma.
– Eu preciso ir... – Lily comenta enquanto começa a se vestir e Mia começa a observá-la.
– Eu posso te acompanhar até em casa...
– Não se preocupa com isso... – Lily lhe beija de leve – Você vai chegar mais cedo amanhã... Certo? – Ela pergunta se referindo à sua festa de aniversário.
– Claro... Quero me arrumar com você... – Ela puxa Lily para um abraço e as duas riem – Linda...
– Eu tenho que ir antes que meus pais estranhem a minha demora... – Lily avisa antes de continuar a se vestir e Mia resmunga um pouco, Lily está adorando aquela situação porque era exatamente o que ela queria, estar com a garota que ela gostava – Até amanhã?
– Até amanhã...
Lily caminha alegremente durante o trajeto até sua casa sem poder imaginar tudo o que aconteceria na próxima semana, até porque ela não poderia estar mais feliz e nunca teria imaginado viver tudo isso em tão pouco tempo depois de chegar em uma cidade nova. No dia seguinte Mia parou de responder suas mensagens o que deixou Lily incomodada até o momento em que ela decidiu por começar a se arrumar sozinha, preferiu não se preocupar por antecipação, tudo aquilo podia ter uma explicação, ou pelo menos era isso que ela acreditava que merecia e que poderia ouvir isso dela pessoalmente quando ela chegasse à festa, mas não foi isso o que aconteceu.
– Amiga, você está bem? – Amanda pergunta para Lily depois de perceber que ela estava bastante desconfortável.
– Acho que eu sou uma besta, Amanda... Eu ignorei justamente sua única sugestão... – Lily responde tentando com todas as suas forças não chorar, mas não consegue controlar e seus olhos se enchem de lágrimas.
– Vamos para o seu quarto... – Ela sugere ao perceber que a amiga pode acabar chorando na frente de todos e como a festa era na sua própria casa elas só precisavam ir para a parte de dentro da casa.
– Estou me sentindo uma otária, onde essa garota deve estar agora? – Lily se questiona e começa a chorar assim que chegam.
– Você pode me explicar com calma o que aconteceu?
– Desculpa... – Lily pede tentando conter suas lágrimas – Eu fiquei com uma das meninas do clube e ela simplesmente não apareceu no meu aniversário depois de transar comigo no dia anterior!
– Tá... Só um minuto... Você está falando da Mia? – Ela pergunta e Lily balança a cabeça confirmando – Vocês transaram? Vocês estavam namorando?
– Era isso o que eu achava... Mesmo que ela preferisse que fosse um segredo, pelo menos eu achava que ela gostava de mim, mas não faz o menor sentido ela não ter aparecido hoje depois de ontem!
– Deve ter alguma explicação...
– E qual você acha que é?
– Isso só a Mia para te responder... Por que você não me contou sobre isso antes?
– Eu não sei... Quanto mais tempo eu passo pensando nisso, menos as minhas atitudes fazem sentido... Eu também não queria que a Mia parasse de ficar comigo se eu ficasse pressionando-a...
– Você gostava mesmo dela?
– Eu ainda gosto! Por isso sou uma idiota! – Lily volta a chorar.
– Calma! Não vamos pensar o pior antes da hora! E você não é uma idiota por gostar de alguém... Não esquece que hoje é seu aniversário de 16 anos! Esse dia deveria ser sobre você! Amanhã na escola vocês resolvem as coisas entre vocês...
Amanda tinha razão e por mais que fosse difícil ela conseguiu arrumar a amiga e convencê-la a voltar para sua festa. Lily conseguiu disfarçar muito bem, mas em nenhum momento conseguia tirar Mia de seus pensamentos e todos eram as piores ideias possíveis, chegou a ser difícil para que ela caísse no sono pensando em como seria o encontro das duas no dia seguinte e como ela gostaria de conseguir adiar isso o máximo possível, mesmo que ela precisasse de uma resposta.
Durante as aulas pouco pôde prestar atenção pensando quando poderia encontrá-la no clube de teatro depois que o sinal tocasse, mas Mia simplesmente não compareceu, Lily sabia que ela estava na escola porque a viu de longe durante os intervalos, mas não teve coragem de ir falar com ela, já que estava sempre acompanhada de Mary e Oliver e elas precisavam conversar sozinhas, nesse ponto Lily achava que Mia havia ido embora.
Depois que a reunião do clube acabou Lily foi caminhar um pouco pela escola enquanto fazia um pequeno lanche antes de voltar para casa, por causa de Mia ela passou a conhecer todos os cantos da escola e isso incluía vários lugares escondidos que elas aproveitavam para poderem se beijar. Lily começou a questionar como pôde considerar aquela situação que elas viviam como um romance.
Partia seu coração em admitir, mas seu amor por ela a fez ignorar os claros sinais de que Mia estava apenas ficando com ela casualmente, elas ficarem escondidas era uma das piores partes até ela perceber que elas nunca tinham conversado sobre nada sério, muito menos definir se estavam ficando só uma com a outra, o que deixava implícito que Mia poderia muito bem ficar com outras pessoas ao mesmo tempo.
Por ironia do destino, e despretensiosamente, seus pensamentos a levaram para a resposta que ela precisava enquanto vagava pela escola fazendo seu lanche. Ela encontrou Mia aos beijos com uma aluna que ela não conhecia, no mesmo instante ela derruba seu pote de vidro em cima de seus pés com a surpresa e ele acaba se quebrando em vários pedaços.
– Que susto! Você está bem? – A garota que estava com Mia pergunta depois de perceber a presença de Lily.
– Eu estou sim... – Lily responde com dificuldade tentando não chorar enquanto encara seu pé direito começar a sangrar, péssimo dia para violar o código de vestimenta e ir com um calçado aberto para a aula.
– Meu deus! Seu pé está sangrando! – Ela comenta ao perceber e Mia ainda está em silêncio por ter sido flagrada por Lily – Amor! Vamos levá-la para a enfermaria! – Ela pede e Lily se sente péssima ao ouvir a forma como ela se refere a Mia, que apenas obedece e passa a carregar Lily no colo em direção à enfermaria.
Aquela situação era constrangedora demais para as duas, ainda mais quando tinha uma pessoa entre elas que não parecia entender muito bem o que estava acontecendo. Depois de ficarem as três em um silêncio constrangedor porque a sala estava vazia e a garota desconhecida decide procurar a enfermeira deixando Lily e Mia sozinhas.
– Está doendo muito? – Mia pergunta preocupada tentando quebrar o silêncio que se mantinha.
– Não imagina... Eu só cortei meu pé com vidro, nada demais... – Lily responde e dá de ombros, fica irritada por Mia falar do seu pé depois do que tinha acabado de acontecer.
– Sinto muito não ter falado que eu estava namorando outra garota... Eu não queria te deixar desanimada antes do seu aniversário...
– Ótimo jeito de tentar não estragar meu aniversário... – Lily comenta ironicamente – Ela sabe que você estava transando comigo há dois dias?
– Ela sabe que a gente estava ficando, mas eu não entrei em muitos detalhes... Não seria legal com você...
– Não seria legal comigo? Você começar a namorar outra pessoa depois de me levar para a cama é legal?
– A gente só estava ficando...
– Você sabia que eu não sou assim! Vocês que ficam fazendo isso naquele clube, mas desde o começo eu falei que eu era diferente disso...
– Vai querer criticar a gente agora?
– Agora eu que estou errada? Se você não queria ser minha namorada por que me falou aquelas coisas? Por que não me deixou eu me afastar de você?
– Porque você estava se fazendo de difícil, Lily... Que diferença faz eu querer namorar você ou não? A gente não tem nada a ver uma com a outra! Até parece que isso ia dar certo...
– Porque você não fez questão de deixar isso claro!
– Você teria ficado comigo se eu tivesse deixado?
– Você está querendo dizer que você só quis me usar?
– Eu não disse isso! Eu realmente gosto de você...
– Não o suficiente para namorar comigo!
– E precisa só para poder ficar com você?
– Precisa! Você sabia que precisava! Não é só ficar...
– Por quê? Você se acha tão especial assim? – Lily fica tão irritada com a pergunta que acaba dando um tapa no rosto de Mia.
– Especial o suficiente para você perder seu tempo mentindo só para me conquistar!
– Vai dizer que você não gostou? Você gostava sim! No começo nem pensava em ficar comigo, mas me deixava continuar tentando! Você nunca teve certeza, Lily...
– Nunca tive certeza? Eu teria transado com você se não tivesse?
– Como eu vou saber? Não era só mais uma das experiências que você queria ter antes do seu aniversário?
– Não era! – Lily admite e não consegue mais conter as lágrimas, como ela poderia estar em uma situação como aquela e ouvindo todas aquelas palavras da pessoa que ela tinha se permitido gostar.
– Meninas? – A enfermeira as interrompe e Lily rapidamente seca suas lágrimas, a namorada de Mia estava logo atrás.
– Vocês estão bem? – Ela pergunta ao se aproximar de Mia.
– Estamos sim... – Mia responde.
– Vocês duas podem ir agora, eu cuido da colega de vocês a partir de agora... – A enfermeira avisa e assim as duas se vão – Você poderia me explicar como isso aconteceu? – Ela pergunta assim que começa a fazer o curativo.
– Eu derrubei meu pote nos meus pés depois de tomar um susto.
– Você sabe que não pode trazer potes de vidro para a escola?
– Isso eu não sabia...
– Mas acho que você sabia que não pode usar sandálias, certo? – Lily balança a cabeça concordando, não via sentido em omitir seu erro – Eu vou precisar notificar isso para a coordenador...
– Como assim? Você vai me deixar na detenção depois que eu me machuquei? – Lily pergunta um pouco perdida.
– Eu sei que você está machucada, mas isso não muda o fato de que você cometeu um erro ao vir à escola com esses calçados, se fossem um par de tênis talvez você não tivesse se cortado... E não sou eu que decido se você vai ficar de detenção, mas eu preciso relatar tudo o que aconteceu...
Lily esperava que a coordenadora levasse em consideração o acidente ao tomar sua decisão, mas não foi isso o que aconteceu e ela teve que voltar para a casa com uma notificação de que deveria ficar depois da aula no dia seguinte.
– Qual a lógica de deixar uma garota machucada de castigo? – Sua mãe questiona ao receber a notificação de Lily.
– Eu não sei, mãe... – Lily responde e ela respira fundo.
– Eu não posso discordar da autoridade dela, mas posso te dar uma ideia? – Ela pergunta e Lily balança a cabeça concordando – Faz alguma coisa que valha a detenção... Eu não brigo com você depois... – Ela sugere e as duas riem – Não diga para o seu pai que eu sugeri isso...
Lily decide seguir a sugestão de sua mãe e no dia seguinte decide pegar a bolsa de Mia escondida e pendurar no mastro da bandeira americana que tinha na frente da escola, claro que tudo isso foi registrado pelas câmeras de segurança e antes mesmo de comparecer ao seu primeiro dia de detenção Lily foi agraciada com mais dois, também recebeu de bônus um sermão longo da diretora sobre seu comportamento recente e como aquilo não condizia com a garota que ela havia aceitado para estudar em sua escola, como se ela não tivesse sido aceita simplesmente porque seu pai havia frequentado a escola no passado.
Por mais que ela estivesse genuinamente chateada com o que havia acontecido entre ela e Mia era bom ter uma forma de descontrair de tudo, até por que ela ainda tinha que ver Mia e outra garota andando pela escola como um belo casal, enquanto ela tinha sido suspensa do clube de teatro por ter feito o que tinha feito com sua colega de clube, Amanda como uma boa amiga a acompanhou durante a suspensão, deixando os outros integrantes sem entender muito bem o que tinha motivado Lily a fazer o que tinha feito.
– Você não precisava ter me acompanhado nisso, Amanda... Quem errou fui eu... – Lily avisa enquanto as duas caminham para longe da sala do clube.
– Eu não concordei com a postura deles, se você foi suspensa do clube a Mia também deveria ter sido suspensa... Elas só ouviram o lado da Mia para tomarem essa decisão...
– Não foi tão arbitrário assim, foi uma decisão da diretora... Tive que implorar para não ser suspensa do clube de jardinagem também, mas acho que valeu a pena... – Lily termina com um sorrisinho.
– Você vai para a detenção de novo?
– Sim... Ainda tem hoje e amanhã... Sinceramente é um saco...
– Eu nunca fiquei de detenção...
– Essa é minha primeira vez! – Lily avisa e as duas riem.
– Quer companhia?
– Não precisa se incomodar... Além de demorar não quero te prejudicar mais pelo que fiz...
– Você que sabe, mas não me prejudicaria ficar para a detenção... – Amanda avisa e as duas riem – Eu também não tenho nada para fazer...
– Eu agradeço a gentileza, mas não quero te arrastar para todos os lugares, dessa vez não precisa cuidar de mim...
– Tem alguma coisa que você não quer me mostrar?
– Como assim, Amanda?

História sem título – Capítulo 4

Enquanto isso, Ethan acabou tendo que focar mais nos treinos por conta do campeonato que estava por vir e não tinha mais tantas oportunidades para testar a paciência de Lily. Mia seguia investindo seu tempo em Lily e de certa forma ela gostava disso, mesmo que não sentisse vontade de ficar com ela, o que às vezes a fazia se sentir mal de gostar tanto de sua atenção e Mia se aproveitou disso.
Lily estava frequentando com mais frequência essas festas do clube de teatro, não eram as mesmas festas que as turmas mais populares do colégio frequentavam, já que eles não tinham muita paciência para lidar com o restante dos alunos do colégio. Ela se sentia bem por ter um lugar com pessoas que eram mais sem paciência que ela.
– Qual a boa de hoje? – Mia pergunta quando Joe senta entre ela e Lily no sofá da sala de estar dos pais de Oliver.
– Você sabe que eu sempre tenho alguma coisa, não é garota? – Ele comenta animado enquanto tira um pacotinho de Zip Lock do bolso com um conteúdo suspeito.
– Isso é maconha? – Lily pergunta surpresa.
– O que você acha, querida? – Ele responde enquanto ri desse questionamento – Nunca viu antes? Nunca fumou?
– Nunca...
– Quer experimentar? – Ele pergunta animado e Mia fica nervosa.
– Para, Joe... Não força a barra... – Ela chama sua atenção.
– Por mais que eu ache fofo você não precisa me proteger, Mia...
– Viu? Ela é grandinha, não é? – Joe insiste e Mia revira os olhos.
– Se você começar a passar mal você precisa dizer, tudo bem? – Mia pede um pouco apreensiva e Lily acha engraçado.
– Pode deixar... Você não vai fumar também?
– Acho melhor acompanhar vocês... – Mia e Joe se entreolham antes de seguirem para o jardim da casa.
Mais uma para as experiências novas de Lily e tudo estava sendo muito divertido, ela estava entre amigos, pessoas que aparentemente ela podia confiar, apenas curtindo o momento e agindo como ela achava que um adolescente normal agiria. Mia também adorava observar a ingenuidade de Lily sobre algumas coisas e era justamente por esse motivo que ela sentia que não conseguiria se apaixonar por ela, elas eram muito diferentes, mas Lily era muito bonita e despertava um certo interesse em Mia.
– Você está passando mal? – Mia pergunta depois de encontrar Lily deitada de barriga pra cima na cama em um dos quartos da casa.
– Eu estou bem, mas senti uma vontade inexplicável de deitar um pouco e precisava de um lugar mais confortável... – Ela responde e começa a passar as mãos pela cama.
– Você está muito chapada?
– Não sei... Nunca fiquei antes...
– Você está com sede? – Mia pergunta enquanto se deita ao seu lado na cama e Lily balança a cabeça em negação – O que está passando pela a sua cabeça agora?
– Que a vida é muito doida... – Ela responde e as duas riem.
– Você imaginou que se mudaria para outra cidade antes de se formar no ensino médio?
– De jeito nenhum! – Ela responde e ri.
– E que beijaria uma garota?
– Eu não sei se gosto muito de ficar com as pessoas...
– Por que você acha isso?
– Me sinto fora do lugar, como se eu deixasse de me importar depois que começa a acontecer...
– Você nunca ficou com alguém que você gostasse? – Ela pergunta e Lily balança a cabeça negando – Por que você não tenta gostar de alguém que você está ficando? Pode ser que seja melhor...
– Que sugestão é essa? – Lily pergunta e ri.
– Deixa eu te beijar...
– Quê? Por que você quer ficar comigo?
– Qualquer pessoa que goste de mulher gostaria de ficar com uma tão bonita quanto você...
– Deixa de ser boba... Eu sou apenas uma garota...
– Eu posso te beijar? Você pode incluir como mais uma de suas novas experiências... – Mia sugere e ela ri.
– Mas você já me beijou!
– Mas eu quero te beijar mais! Para de rir de mim...
– Eu não estou rindo de você, estou rindo da situação...
– Eu posso te beijar? – Mia pergunta enquanto segura o rosto de Lily com uma de suas mãos e começa a encarar seus lábios.
– Foi pra isso que você passou esses meses fazendo várias coisas para mim? Queria minha boquinha em troca? – Ela continua rindo.
– Garota! – Mia chama sua atenção, para seu rosto com suas mãos e começa a encará-la – Eu preciso passar por isso para te beijar?
– O quanto você quer, hein?
– Preciso me esforçar mais?
– Você não vai responder? – Lily pergunta incomodada.
– Eu posso te beijar se responder?
– Pode ser... Responde. – Não era exatamente a resposta que Mia queria, mas ela se contentaria com isso naquele momento.
Assim que Mia admitiu que cortejou Lily durante meses elas começaram a se beijar, era como se Lily se sentisse diferente nesse segundo beijo, porque o primeiro havia sido uma coisa inesperada e de certa forma ela tinha uma certa expectativa de que isso fosse acontecer novamente. Depois de passar tanto tempo reclamando da maneira que Ethan a tratava era quase que uma resposta perfeita, mesmo que gostar de uma garota não fosse uma de suas expectativas.
Também era a primeira vez que alguém tentava ficar com ela de verdade e Lily estava adorando essa experiência, já que seu primeiro beijo era uma coisa da qual ela preferia não se lembrar. De repente aquilo começou a fazer sentido para ela, Mia era uma garota linda e simpática, a tratava super bem e o principal: Lily estava começando a gostar dela de verdade.
Por mais que ela gostasse de ser mais discreta e ter a atenção da Mia só para ela, ela se sentia estranha por sentir que aquele romance entre as duas tinha que ser um segredo, mas ao mesmo tempo também achava que era só questão de tempo para que Mia a pedisse em namoro e não precisariam mais esconder aquela situação.
– Cara! Por que você é tão aplicado assim aos treinos? Chega antes de todo mundo... Vai embora depois... – Kyle, capitão do time, pergunta para Ethan assim que chega no vestiário e ele é o único presente.
– Eu... Não sei se sou bom o suficiente, então eu prefiro treinar mais... – Ele começa a inventar uma desculpa para não admitir que faz isso para não precisar passar mais tempo perto de outras garotas.
– Você tem uma altura boa... Talvez o treinador te coloque em algum desses jogos do campeonato regional, mas você não precisa ser tão focado assim no primeiro ano... Você pode aproveitar um pouco mais... – Ele sugere e Ethan sabe que ele está falando sobre garotas.
– Eu... Prefiro jogar basquete... Vocês não vão poder me zoar se eu jogar bem, certo? – Ele pergunta nervoso e Kyle ri.
– É tão difícil assim? Lucas já comentou sobre... – Ele menciona por ser justamente o irmão mais velho de seu melhor amigo – Você já pensou na possibilidade de gostar de outra coisa?
– Quê? Não! Nada contra, mas... Quando eu sonho com uma garota eu fico de pau duro só com o beijo... – Ethan comenta, mas nunca admitiria tão facilmente que sonhava com uma garota específica.
– Não sei se isso seria um problema muito grande... – Ele dá de ombros e ri – Mas você também não precisa se deixar levar pela pressão dos caras, é muito chato forçar uma coisa que você simplesmente ainda não tá pronto pra fazer...
– Valeu...
– Mas só estou te dando essa colher de chá porque você é melhor amigo do meu irmãozinho... E também porque eu vejo talento em você, tá mais do que certo em focar nos treinos...
– Eu só estou seguindo a onda do Lucas...
– Não, Ethan... Você é diferente... Confia em mim...
Kyle tinha razão, não era uma questão de altura, mesmo com 1,87cm de altura o que mais chamava a atenção era como ele era capaz de aprender rápido e principalmente aprender com os próprios erros. Simplesmente porque ele havia encontrado algo em que sua cabeça se acalmava, não era a primeira vez que isso acontecia, mas novamente ele não conseguia se sentir tão cativado assim pelo basquete.
Ele ainda via Lily, com uma frequência menor por causa dos treinos, mas não encontrava tempo para interagir com ela nos corredores, era como se sempre os seus horários se desencontrassem ou ela estivesse acompanhada de outras pessoas mais intimidadoras, como a Mia, também não se falavam durante as aulas que compartilhavam e ele se irritava por não entender porque se lembrava dela constantemente mesmo que ela não fizesse parte da sua rotina mais.
Enquanto isso Lily vivia o que ela acreditava ser um romance com Mia, mesmo que fosse escondido das outras pessoas, parecia que Mia tinha coisas mal resolvidas com outras meninas do clube e só queria evitar que Lily se envolvesse nesse drama sem necessidade, por mais que ela aceitasse a situação e entendesse em parte, ainda se sentia um pouco desconfortável com aquilo.
Mas com seu aniversário de 16 anos se aproximando ela acabou por focar sua atenção mais nisso e claro que Mia percebeu que acabou sendo deixada um pouco de lado e depois de passarem mais de um mês em um clima de romance trocando beijos as escondidas pelos corredores da escola ou durante as festas, Mia percebeu a indiferença de Lily e resolveu se aproveitar de seu aniversário para não se afastarem mais.
– Você ficou linda nesse vestido... – Mia comenta depois de Lily experimentar alguns vestidos em uma loja de departamento.
– Eu queria que fosse surpresa pra todo mundo... – Ela responde um pouco mal humorada, já que estava tentando aproveitar os preparativos do seu aniversário para colocar o envolvimento das duas em perspectiva sozinha, a companhia de Mia não a ajudava nesse sentido, já que ela constantemente a tentava beijar e paparicar.
– Você não pode fazer surpresas para mim... – Mia pede enquanto se aproxima dela para abraçá-la por trás, Lily logo a afasta em reprovação – Por que você está fazendo isso comigo?
– Ninguém pode saber que ficamos, não é mesmo?
– Você está incomodada com isso?
– Você sente vergonha de ficar comigo? – Lily pergunta e Mia acaba achando graça desse questionamento, Lily fica um tanto irritada por conta da risada.
– Não ficaria envergonhada de ficar com a garota mais gata do colégio... – Mia responde virando o rosto de Lily para que ela se visse no espelho e realmente ela era belíssima, seus cabelos ondulados e loiros emolduravam perfeitamente seu rosto delicado e seu par de olhos amendoados encantavam a todos, a cereja do bolo era o contraste de seus olhos escuros com seus cabelos claros.
– Você não gosta de mim... – Lily murmura baixo, mas Mia consegue entender o que ela diz.
– Claro que eu gosto de você! Eu gosto muito de você! – Mia exclama quase que indignada com a afirmação de Lily enquanto segurava seu rosto com suas mãos para beijá-la logo em seguida, no meio da loja em frente aos provadores – Eu não quero te esconder...
– Você só não pode me beijar na frente de desconhecidos...
– Mas não era isso o que você queria?
– Deixa de ser boba, Mia! Você sabe o que eu quero! – Lily reclama e logo é surpreendida com outro beijo que a deixa completamente derretida.
– Eu adoro você... – Mia diz olhando profundamente em seus olhos e Lily sente como se aquilo fosse quase uma declaração de amor.
– Eu amo você... – Lily diz de todo seu coração e beija Mia novamente, que fica um pouco sem reação, ela queria apenas dizer o que fosse necessário para continuar ficando com Lily, então não esperava ouvir algo assim e por mais que não tivesse a intenção de retribuir esse sentimento, ela o receberia muito feliz.
– Você quer ir lá para casa?

História sem título – Capítulo 3

Lily conseguiu se enturmar com as garotas do clube de teatro surpreendentemente bem, apesar de ter ficado um pouco desconfortável com algumas perguntas sobre sexualidade ou antigos relacionamentos, era estranho para ela ver aquelas meninas falarem sobre aqueles assuntos com tanta naturalidade enquanto ela nem se quer sabia o que era um beijo de verdade. Com vergonha preferiu mentir e acabou inventando um ex-namorado que teve em Nova Iorque e como precisou terminar com ele antes de se mudar para Pearl Bay.
– E ele era gato? Gostoso? Ele beijava bem? Transava bem? – E de repente ela se vê bombardeada de perguntas vindo de todas as garotas quando ela apenas esperava encerrar o assunto, afinal de contas o que mais ela teria para contar sobre um ex-namorado inexistente.
– Calma! Assim vocês vão matar a menina do coração! – Mia interrompe o interrogatório quando percebe que Lily parece estar a ponto de ter uma síncope – Foi difícil para você terminar com ele?
– Ninguém quer saber disso, Mia! A gente quer saber se ele tinha um pau grande! – Oliver exclama e Lily sente que vai explodir de tanta vergonha por ter começado uma mentira tão boba.
– Eu-eu não sei... Não chegamos a fazer isso... – Lily toma coragem para responder e prefere não omitir o fato de ainda ser virgem – Ele era muito bonito... – Ela tenta responder as questões para tentar encerrar o assunto, mas como não havia um garoto de verdade ela acaba involuntariamente pensando em Ethan para responder – Ele gostava de esporte e também era mais alto que eu...
Mia por um instante acaba acreditando na existência desse namorado ao perceber Lily praticamente sonhando acordada ao descrevê-lo, o que dificilmente aconteceria se ela estivesse descrevendo uma pessoa que não existisse.
– Agora vocês estão satisfeitas? Podem dar uma colher de chá para Lily? – Mia pede e Lily fica contente por se sentir compreendida por uma colega de clube, mas logo se irrita um pouco ao perceber que tinha pensado daquela forma sobre o Ethan.
Tinha que ser justamente o garoto que implicava todos os dias com ela? Claro que não tinha nada a ver com sua altura, ou com seus cabelos ondulados e escuros que emolduravam seu rosto, ou seu sorriso cheio de dentes alinhados que ficavam no meio de duas covinhas quando ele sorria, ou seu par de olhos castanho claro penetrantes... Aquele garoto não tinha nenhuma utilidade em ser tão bonito, mas ele era e por mais que a irritasse tanto, no fundo ela gostava de olhar para ele diariamente.
– Daqui a pouco tropeça no chão e diz que a culpa é minha... – Ethan a acorda de seus devaneios enquanto ela caminha sem muito rumo pelos corredores da escola pensando justamente nele.
– Cala a boca, Ethan... – Ela tira seu rosto da sua frente com uma de suas mãos e o escuta gemer em reprovação.
– Ei! É isso o que eu ganho por tentar ser legal em não te deixar andando que nem uma barata tonta por aí? – Ele pergunta indignado e ela acaba parando de caminhar para respirar fundo.
– Que bom que é só uma tentativa, não é mesmo?
– Não foi legal o suficiente?
– Tem que tentar mais...
– É por isso que eu tento com você todos os dias... – Ele responde ironicamente e ela revira os olhos.
– Legal? Comigo? Todos os dias? Bebeu antes de vir para a escola hoje, foi? – Ela pergunta irritada e ele acha graça.
– Eu sou um atleta! Esqueceu que eu faço parte do time de basquete? Eu não posso ser irresponsável assim!
– Por que você acha que eu sei alguma coisa sobre você?
– Ah... Assim você me magoa... Eu sou tão desinteressante assim? – Ele pergunta e começa a encará-la intensamente a deixando um pouco desconsertada, se aquele par de olhos fizesse realmente fizesse qualquer coisa legal por ela, ela não conseguiria dizer não.
– Eu... – Ela começa a falar, mas acaba perdendo as palavras ao começar a observar os lábios dele formarem um sorriso malicioso, droga, ela ainda não tinha reparado em seus lábios.
– Vai intimidar alguém do seu tamanho, garoto! – Uma garota chama a atenção dele e quando Lily se vira para ver quem é se depara com Mia do lado deles.
Ao mesmo tempo em que ela sente um pouco de alívio por ter sido tirada daquela situação ela também fica um pouco frustrada por não estar mais sozinha com ele e novamente fica irritada consigo mesma.
– Meu implicante de estimação! Gostou dele? – Lily pergunta e Mia não consegue conter o riso.
– Ei! Não fala assim de mim! – Ele protesta.
– Você não acha que tá grandinho demais para implicar com a garota que você gosta? – Mia decide se juntar a Lily para zoar um pouco com ele.
– Ei! Da onde você tirou isso? Até parece que eu quero ficar com essa garota... – Ele dá de ombros e a deixa furiosa com sua resposta, mas ela consegue disfarçar o suficiente para que ele não perceba.
– Ei! Ei! Ei! Você só sabe reclamar, é isso? Vai logo treinar e cuidar das suas bolas, vai... – Mia pede firmemente e ele acaba indo.
– Muito obrigada! Se você tivesse aparecido no primeiro dia de aula talvez ele não continuasse até hoje... – Lily agradece depois que ele vira o corredor e se afasta.
– Primeiro dia de aula? Então ele tá fazendo isso há quatro meses?
– Sim! Caramba, passou tão rápido que eu nem percebi que era tanto tempo assim! Acho que acabei me acostumando com ele implicando comigo todos os dias...
– Por isso que você não gostou quando ele disse que não ficaria com você? – Mia pergunta e Lily sente-se como se tivesse sido pega.
– Eu... Não... Por que eu me importaria com um bocó desses? – Lily se atrapalha com as palavras ao responder.
– Não precisa ficar com vergonha... Ele é muito gato, não é?
– Não incentiva... – Lily pede e ela ri.
– Longe de mim incentivar! Os jogadores do time de basquete são uns galinhas! Só se você quiser uns chifres na sua cabeça!
– Não vou namorar ninguém! Fica tranquila...
– Mas não precisa levar ao pé da letra, ninguém vai te julgar se você acabar namorando um deles... Costumam ser os garotos mais bonitos da escola, com exceção de uns e outros... – Mia comenta e as duas riem – Mas para ser justa você vai ter que ir na festa lá na minha casa... Já que eu te ajudei a sair dessa situação...
– Você sabe que não é muito a minha vibe... – Lily comenta, continua a seguir em direção à saída e Mia a acompanha.
– Ah! Dá uma chance vai! Se você quiser ir embora no meio não tem problema... Eu te levo em casa! – Ela insiste.
– Tá bom! Principalmente porque você me ajudou com o Ethan, vou falar com os meus pais e te envio uma mensagem... Até mais!
Lily não estava muito animada para ir à festa, apesar de ter um círculo social maior do o que estava acostumada em Nova Iorque ela ainda preferia manter suas atividades muito semelhantes ao o que ela já fazia em sua cidade natal, mas ultimamente estava motivada a ter novas experiências antes do seu aniversário de 16 anos.
Mia estava sendo uma colega de clube tão legal nos meses em que antecederam que até mesmo parecia que elas tinham algum tipo de conexão inexplicável. O que era um pouco de semelhança genuína entre elas também era Mia tentando sutilmente conquistar Lily.
– Tá tudo certo? – Mia pergunta para Lily depois de perceber que ela havia se isolado, mais especificamente na cozinha e tomando alguns goles do seu primeiro copo de bebida alcoólica.
– Tá sim... Eu só me senti estimulada demais...
– Festas tem esse defeito... Muita informação, mas você está gostando? Pode ser sincera, viu? Não precisa falar que está gostando só para me agradar... – Ela pede e Lily acaba rindo.
– Sim... Gostei dos petiscos e que tinha bastante refrigerante...
– As meninas preferem beber, mas adoraram o fato de que tem Coca-Cola também ... – Mia dá de ombros e as duas riem – Mas me diz por que você não fala muito sobre como eram as coisas em Nova Iorque? Algo ruim aconteceu?
– É que não era muito legal... Prefiro não ficar falando sobre coisas tristes, sabe? Eu era isolada e só interagia com os funcionários...
– Isso parece ser horrível... Quando eu te conheci imaginei que você poderia ter passado por isso, até achei que você estava mentindo sobre ter um namorado, mas pela forma que você descreveu, ele parecia mesmo ser uma pessoa de verdade... – Ela comenta e ri.
– Tá achando graça de mim, é? Pode achar... Nunca namorei ninguém e só dei um beijo na minha vida porque não queria continuar sem ter beijado ninguém depois dos 14 anos... – Lily vomita toda a verdade sem pudor por já estar um pouco embriagada.
– Que boba... Você não precisa mentir sobre essas coisas, mas em quem você pensou afinal de contas? Porque pareceu bem real.
– Eu que sou uma boa atriz ... – Ela demora para responder, mas acaba encontrando a melhor resposta e acaba cambaleando.
– O que você está bebendo? – Mia pergunta enquanto puxa o copo – Vinho? Da onde você tirou isso? E o refrigerante?
– Se todo mundo gosta do refrigerante porque eu também não posso gostar de beber um pouco? – Lily abre um sorriso bobo.
– Você está bêbada? Quanto você já bebeu?
– Esse é só o terceiro copo, relaxa... – Ela responde arrastado e Mia acaba se preocupando um pouco com o seu estado.
– Você está se sentindo bem? Não está enjoada?
– Eu acho que eu estou bem... Não estou enjoada, mas talvez um pouco bêbada demais do que eu gostaria... – Lily arrasta palavra por palavra e Mia acaba achando fofo ter a oportunidade de ser a primeira pessoa que a via bêbada.
– Você já tinha ficado bêbada antes?
– De jeito nenhum! – Ela responde e ri sem motivo, Mia está adorando a situação porque Lily além de linda era completamente adorável, era difícil não ficar fascinado pelo seu pelo par de olhos escuros – Eu sou um pouco careta...
– Só um pouco?
– É sim! – Lily protesta dando um tapinha no ombro de Mia que se aproveita da situação para segurar sua mão, mas Lily fica completamente alheia as suas intenções ao não achar nada demais naquele gesto – Isso aqui é só uma experiência... Depois eu vou esperar completar meus 21 anos para beber novamente...
– Está bom... Eu confio em você... – Mia começa a encarar seus lábios e totalmente alheia a situação Lily recebe os lábios de Mia nos seus. Involuntariamente ela retribui o beijo ao mesmo tempo em que começa a pensar na situação em que estava.
– Mia... – Ela interrompe o beijo.
– Desculpa... É que você é tão linda...
– O que?
– Ah, para... Até parece que você não sabe...
– Deixa de ser boba, Mia...
Como estava bêbada demais para dar relevância ao acontecido, Lily apenas seguiu na festa normalmente e só foi pensar sobre aquilo no dia seguinte. Ao mesmo tempo em que não entendia o que tinha levado Mia a lhe dar um beijo, ela também conseguia considerar Mia uma garota muito bonita, mas isso era motivo suficiente para que de uma hora para a outra começassem a ficar?
Mia resolveu agir como se nada tivesse acontecido porque acabou ficando com a impressão de que talvez tenha escolhido um momento ruim para fazer aquilo, mas já faziam meses que elas conversavam e Mia investia e de certa forma ela estava um pouco cansada de esperar. Ela queria conquistar Lily, ficar com ela não seria suficiente, ela queria que ela quisesse ficar com ela por vontade própria.

História sem título – Capítulo 2

No segundo dia de aula eles fizeram o teste para o clube de basquete, assim como outros alunos começando suas inscrições em várias atividades extracurriculares que a escola oferecia além da grade obrigatória. Graças a uma ajudinha do irmão do Lucas eles já saíram do teste sabendo que faziam parte do time e apesar de começarem a frequentar festas do ensino médio não era como se muita coisa fosse mudar, já que Ethan preferia gastar sua energia implicando com Lily nos corredores do colégio.

Depois do acontecido no primeiro dia de aula ele ficou com um sentimento estranho por ela, era interesse, mas como um bom adolescente imaturo ele interpretou aquilo como raiva, o que também não era muito diferente.

Já para Lily as coisas eram um pouco diferentes, mesmo podendo ser estigmatizada por ser como era também tinha uma sensação boa de estar em um lugar novo e com novas possibilidades, mas logo precisou procurar muitas distrações por conta do quase bullying de Ethan, ao mesmo tempo em que ela tentava se convencer de que aquilo não a incomodava ela ficava frustrada sem entender porque justo o garoto mais bonito do colégio tinha que tratá-la dessa forma, talvez coisas de garotos de cidade pequena, pensava, por mais que só ele a fizesse passar por isso.

– Por que você tem tanta confiança pra me perturbar, mas não tem coragem de pegar ninguém? Por acaso você quer ficar comigo? – Ela o pergunta depois de uma de suas provocações.

– Você se acha muito, né?

– Eu não acho... Eu sou e eu não consigo encontrar um motivo melhor pro que você faz, tá tão desesperado assim pela minha atenção?

– Suas reações são ótimas, sabia?

– Sei... Já sei que você vai ignorar o que eu falei... – Ela comenta e se aproxima dele – Você não disfarça muito bem que na verdade suas intenções são ver outras reações minhas... – Ela termina de falar de forma que somente ele escute – Se é que você me entende... – Ela termina o comentário de forma debochada e dando de ombros.

– Garota! – Ele reclama e ela tenta não rir.

– Ah! Só você pode zoar comigo? – Ela o empurra de leve, até porque a diferença de força entre os dois era discrepante. Ele a encara em silêncio por alguns instantes até que ela se irrita com a situação.

– Não... Acho que só quero te ver irritada mesmo... – Ele comenta e dá de ombros antes de seguir pelos corredores com Tate e Lucas.

– Dá pra entender por que isso acontece comigo? – Lily comenta desanimada com uma colega de classe com quem se identificou desde o primeiro dia de aula e a acompanhava pelos corredores da escola, que se chamava Amanda.

– Minha mãe vive falando que garotos não entendem os próprios sentimentos e que não nos afetamos pelo o que não nos importa...

– O que você quer dizer com isso?

– Talvez você se importe, mesmo que só um pouquinho com ele.

– Por que eu me importaria com um garoto que me trata dessa forma? Se ele me tratasse bem seria outra história...

– Então você quer que ele te trate bem?

– Eu não disse isso! – Lily se sente perdida em suas palavras – Só disse que faria mais sentido se eu começasse a gostar de alguém que me trate bem, você não acha?

– Os nossos sentimentos não precisam fazer sentido, mas eu entendi o que você quer dizer... Já pensou em falar com ele sobre isso?

– Não! Não vou falar com ele depois do que aconteceu no primeiro dia de aula... – Ela responde e cruza os braços.

– Você ainda está pensando nisso? Você tem que aceitar que garotos falam merda uns pros outros e as vezes é só pra pararem de falar sobre algum assunto...

– Como você pode saber isso?

– Não foi você que disse que o que mais te incomodou foi ele te olhar com tanto interesse e depois falar de você daquela forma? Você mesma percebeu que ele estava interessado naquele dia...

– Quem não te garante que ele fez isso de propósito?

– Garotos adolescentes não são tão complexos...

– Por que você sabe tanta coisa? – Lily pergunta curiosa.

– Meus pais são psicólogos, esqueceu?

– Ah, é verdade...

Enquanto isso os três melhores amigos seguiam em direção à saída e Tate e Lucas apenas esperavam que a interação entre Ethan e Lily terminasse para que pudessem provocá-lo sobre o que tinha acabado de acontecer.

– O boletim de notícias informa: a tensão sexual entre Ethan e Lily é tão grande que foi vista ultrapassando os limites da cidade!

– Ai, ai... Por que você não foca essa energia toda em tentar ficar com ela? – Tate pergunta um pouco entediado.

– Quem disse que eu quero ficar com ela?

– Precisa falar? – Os dois perguntam em coro.

– Eu já disse que isso não tem nada a ver!

– Tá bom... A gente finge que acredita em você...

 

Durante o restante daquele ano a rotina de Ethan não mudou muito: ele frequentava festas, comparecia aos treinos e implicava com Lily religiosamente. Por outro lado, Lily estava fazendo coisas completamente novas, como participar do clube de teatro e do clube de jardinagem. Antes de se mudar para Pearl Bay ela era apenas a aluna autista em seu antigo colégio, seus colegas de classe a isolavam e apenas funcionários conversavam com ela nos intervalos.

Mas nessa cidade parecia que tudo era diferente. No começo quando seu pai falava animado sobre sua cidade natal ela não conseguia visualizar o que ele poderia gostar em uma cidade com menos de 30.000 habitantes. A princípio não estava nos planos da família essa mudança porque a cidade grande cabia em seus planos e tudo parecia estar bem, até o apartamento em que moravam ser invadido.

Tudo aconteceu muito rápido e sua mãe estava sozinha em casa, o horário quase coincidiu com sua saída da escola, mas o assaltante já havia ido embora quando ela e sua irmã mais nova chegaram e se depararam com a mãe desacordada no chão da sala. A princípio nada havia sido levado e no hospital a notícia que ninguém gostaria de receber: ela havia sido violentada.

De repente os quatro integrantes daquela família se viram fazendo uma mudança para uma nova cidade e em direção a uma vida que até então só tinha sido de seu pai, mas que depois do que havia acontecido era como uma esperança de uma vida com isso para trás.

Seus pais haviam se conhecido em Nova Iorque pouco depois que ele se mudou para fazer faculdade, então as memórias de Pearl Bay eram uma coisa exclusiva de seu pai, já que seus avós paternos as visitavam regularmente desde que eram pequenas. Ela pensava que as coisas continuariam como eram, mas só de chegar no lugar pôde perceber que tudo seria diferente, mas talvez diferente demais do que ela poderia encaixar em suas próprias expectativas.

– Ei, você tá irritada? – Amanda pergunta ao perceber que Lily não está interagindo muito.

– Não consegui entrar no coral porque não sei ler partitura...

– Acontece... Por que você não tenta alguma atividade que você já fazia lá em Nova Iorque?

– Mas eu fazia parte do coral... – Ela reclama manhosamente.

– Como assim você não lia partitura?

– É tão estranho assim?

– Levando em consideração que uma das melhores faculdades de música do país ficam lá, eu acho...

– Tinham as partituras, mas eu não entendia porque não fazia aula de música... Eu aprendia as músicas ouvindo as outras meninas...

– Isso é muito bom... Se eu soubesse ler essas coisas eu te ensinava, mas não faço ideia do que é uma coisa ou outra...

 

Já para o clube de teatro ela não teve muitos empecilhos, apesar de estar envergonhada ela conseguiu cantar e atuar um pouco, era difícil pensar que todas aquelas pessoas estavam a julgando, mas ao mesmo tempo ela foi muito bem recebida entre aquelas pessoas e se surpreendeu principalmente pela diversidade entre as pessoas. E também porque ela não demorou para perceber que a maior parte das meninas eram bi ou lésbicas, mas ela não se importava com isso.

Para Lily relacionamentos físicos eram irrelevantes, até então ela não havia se interessado genuinamente por ninguém e a única vez em que ela tinha beijado alguém foi por um acordo para finalmente “deixar isso para trás”. A experiência não tinha sido das melhores e de certa forma era mais confortável para ela lidar com seus relacionamentos como se ela não se interessasse pelas pessoas dessa forma, mas ela sabia que no fundo ela sentia pelo menos um pouco de interesse.

Inclusive ela não levou muito tempo para descobrir que a maior parte dessas garotas já tinham ficado entre si, coisa que não entrava na cabeça dela, já que ela costumava a imaginar o amor como uma coisa mais romântica de você estar e ficar com apenas uma pessoa, mas não se incomodava com aquilo já que tinha certeza de que não se envolveria nessa situação, pelo menos era o que ela pensava.

As garotas eram super divertidas e a adoravam, mais do que ela imaginava, é claro. Lily era muito inteligente, mas também conseguia ser muito boba em alguns aspectos, principalmente quando se tratava de relacionamentos amorosos. Ao mesmo tempo em que se irritavam com a inocência dela elas adoravam o desafio e duas delas chegaram a apostar quem conseguiria conquistá-la, mas Lily levaria muito tempo para descobrir isso.

– Ah, aquelas duas são a Megan e a Carly, elas estão sempre juntas porque se gostam muito... – Amanda começa a explicar sobre os dramas dos integrantes do clube de Teatro já que ela também faz parte.

– Parece que elas namoraram sério por uns dois meses, mas depois terminaram, pessoal fala que elas ainda ficam até hoje...

– Por que elas não continuam namorando?

– Não sei... Por isso não é uma boa ficar com nenhuma das duas, elas sempre vão preferir uma à outra... – Ela avisa.

– Eu não vou ficar com ninguém, Amanda... – Ela dá de ombros.

– Se é isso o que você diz... Ali você vê o Joe, ele é o único garoto gay que se assumiu pro colégio inteiro... Isso aconteceu no ano passado quando ele ainda era novato, eu sei que você não  estava aqui, mas...

– Ele se apresenta para as pessoas mencionando isso...

– Exatamente... Ali sentadas naquela mesa estão Mary, Oliver e Mia... Elas competem entre si pra descobrir quem consegue ficar com mais garotas héteros, então toma cuidado porque elas podem tentar alguma coisa com você...

– Eu já te disse que não tenho interesse em ficar com ninguém...

– Eu sei... Só estou avisando... Fora isso tem o Michael e o Tony que não vieram hoje e o Harry que foi no banheiro...

– Eu sei que te pedi para me dizer quem era quem, mas eu não consegui decorar o nome de ninguém... – Lily assume e as duas riem.

– Fica tranquila... Com o tempo você consegue associar...

– Amanda! Tá isolando a nova integrante do clube? Ela precisa interagir com a gente também! – Oliver se aproxima delas e pede.

– Eu não estou fazendo isso... Ela é minha amiga, então nós viemos juntas...

– Foi você que veio de Nova Iorque, né? – Oliver pergunta para Lily ignorando o que Amanda fala.

– Ah sim... Eu nasci lá, mas meu pai nasceu aqui...

– Que legal! Da Amanda a gente já sabe tudo... Talvez até demais... Já que vocês são amigas, deixa a Lily conhecer a gente enquanto estiver aqui no clube, tá bom, Amanda? – Oliver pede enquanto começa a arrastar Lily na direção em que as outras integrantes do clube estão e perdida com a situação ela apenas olha para Amanda como se pedisse ajuda para sair daquela situação.

– Tá bom, Oliver... Elas são legais... Lembra o que eu te falei...

– Ah! Já estava falando mal da gente para a aluna nova?

– Eu só falei para ela ser ela mesma, deixa de ser paranoica.

História sem título – Capítulo 1

Ethan não era o tipo de adolescente que era acostumado com garotas e apesar de já ter se interessado por alguma colega de classe antes do ensino médio, por conta da sua timidez acabou chegando ao primeiro ano sem se quer ter dado seu primeiro beijo. Nasceu e cresceu em uma cidade pequena nos Estados Unidos chamada Pearl Bay e sua única certeza era que estaria estudando no ensino médio com as mesmas pessoas que estudavam com ele desde o jardim de infância, o que implicava a pouca probabilidade de uma real mudança na sua nova fase.
– Ah, filho... Você já está virando um homem... – Sua mãe comenta ao observá-lo arrumado para a escola antes de sair.
– Mãe, eu ainda tenho 15 anos... Não precisa exagerar...
– Não consigo evitar, querido... Só de pensar que você era tão pequeno e já está desse tamanho... – Ela fala com ternura, mas ele só consegue sentir-se envergonhado.
– Para com isso, mãe... Até mais tarde... – Ele se despede e segue para o ponto em que espera pelo seu ônibus escolar.
Para ele o único ponto positivo de tudo continuar como sempre fora eram seus melhores amigos Tate e Lucas que conviviam com ele desde o começo de sua vida escolar, mas ele acaba sendo surpreendido pela visão de uma bela garota desconhecida sentada em uma das primeiras cadeiras assim que ele chega com seus amigos para sua primeira aula, eles logo começam a conversar sobre as férias antes da chegada da professora, mas ele não consegue evitar de querer observar a garota misteriosa e assim que a professora chega ela apresenta a aluna nova para a turma.
– Essa é a nova colega de vocês, Lily! Venha se apresentar, querida...
– Claro... – Ela concorda e fica em pé diante da classe – Como a professora Lauren disse eu me chamo Lily, tenho quinze anos e morava em Nova Iorque... – Um pouco de burburinho começa quando ela menciona de onde vem.
– A aluna nova é autista! – A professora comenta e ela revira os olhos.
– O que a gente tem a ver com isso? – Alguém pergunta e todos riem – E o que isso quer dizer? – Outra pessoa complementa o deboche.
– Por mais que eu tenha insistido em não ser apresentada dessa forma eu posso explicar... Basicamente eu sou bastante honesta, então não levem para o lado pessoal o que eu disser... Eu também tenho uma certa dificuldade em entender as intenções das pessoas e algumas ironias, então tenham paciência comigo e eu tenho preferência na secretaria, mas eu não imagino que será necessário... – Ela termina de falar e abre um sorriso um pouco forçado.
– Bom... Nós podemos começar a aula agora, pode sentar-se, Lily...
– Caramba... Ela foi literal no que disse... – Tate comenta durante a aula.
– Não precisa exagerar, cara... – Ethan tenta mudar de assunto.
– Mas ela não foi super honesta? – Ele insiste.
– Tem que concordar com ele, hein... – Lucas comenta.
– Ele só tá discordando para disfarçar que está interessado na aluna nova... – Tate avisa.
– Ei! Por que você está falando isso?
– Ele tem razão! Você não parou de olhar pra ela!
– Você resolveu concordar com tudo o que ele diz?
– Silêncio vocês três! – A professora chama a atenção dos três ao perceber que conversavam e eles se desculpam.
– Você vai fazer alguma coisa, Ethan? – Lucas o questiona quando estão no intervalo.
– Do que você tá falando?
– Não se faz de perdido! Ele tá falando da aluna nova! – Tate o lembra do assunto e ele sente vontade de esganá-lo, não era como se ele tivesse o hábito de falar sobre esse assunto, mesmo com os melhores amigos.
– Eu não vou fazer nada! Vocês acham que eu vou dar em cima dela? Eu nunca nem beijei ninguém e outra ela nem é tão bonita assim... – Ele sente raiva de si mesmo ao falar aquilo, mas faria de tudo para tentar encerrar o assunto, fazia mais seu tipo ser apenas um admirador.
– Sei... Você não ia querer namorar uma garota autista, não é mesmo? – Tate o provoca e o faz se arrepender de não o ter enforcado momentos antes, não era um hábito deles falar dessa maneira, mas ele sabia que era de propósito, então não queria ceder a provocação.
– Ele está é com medo de tentar ficar com alguém... – Lucas também insiste na provocação, afinal os dois haviam percebido o interesse dele em Lily.
– Se é assim você pode dar em cima dela só de brincadeira, treinar um pouco, sabe? Vê se perde esse medo de mulher...
– Para de brincadeira...
– Tá com medinho? – E assim Lucas finaliza seu amigo, era difícil para um garoto adolescente não ceder a esse tipo de provocação. Ethan os encara furioso antes de responder:
– Não estou! Na saída eu faço isso!
– Não pode fazer agora, por quê?
– Não me apressem vocês dois!
Por fora Ethan parecia confiante (por mais que não conseguisse convencer muito seus melhores amigos de tal confiança), mas por dentro ele só queria conseguir arrumar uma desculpa para ir direto para casa ou talvez sair mais cedo, qualquer coisa que pudesse tirá-lo daquela situação.
– Não vai dizer que você tá pensando em fugir? – Lucas pergunta enquanto alcança Ethan que tenta sair antes deles.
– Por que eu preciso fazer isso? – Ele pergunta nervoso enquanto é praticamente carregado por Lucas e Tate em direção a entrada do colégio.
– Porque amanhã tem o teste pro time de basquete e você vai ter até o final do ano pra perder a virgindade... Tem que começar em algum lugar... – Lucas lembra de seu plano de anos, inspirado em seu irmão mais velho tudo o que ele queria para seu ensino médio era fazer parte do time de basquete para ser tão popular quanto ele era.
– Vocês falam como se não fossem virgens...
– A diferença é que eu tenho uma namorada e o Lucas já ficou com algumas garotas, enquanto você nunca beijou ninguém...
– Por que isso é tão importante?
– Porque vão ficar zoando você se continuar virgem por tanto tempo no time... Vai ter que jogar muito bem pra deixarem isso passar... Não esqueça que não há melhor forma de ser popular na escola aqui...
– Mas eu não ligo de ser popular ou não... – Ethan comenta e Lucas quase se sente pessoalmente ofendido.
– Olha... Eu também não ligo muito para essas coisas, mas nós vamos para apoiar nosso amigo!
– Para vocês é fácil falar, vocês pelo menos são bonitos e você já tem namorada Tate!
– Mas eu estou do seu lado! O que eu quero dizer é que apesar do nosso amigo desejar uma coisa um pouco mesquinha, fazer parte do time pode ser uma experiência legal!
– Agora querer mais amigos é mesquinho?
– A gente está aqui é ajudar esse garoto aqui a ficar com alguém... Não perde o foco, Lucas... – Tate chama sua atenção.
– É tão ruim assim continuarmos a ser os nerds da sala?
– É! É horrível! Vocês são bonitos e não sabem o quão difícil é pegar alguém! Nenhuma garota me dá moral!
– Mas eu não fico com ninguém... – Ethan dá de ombros e Lucas o fuzila com os olhos.
– Não fica porque não quer! Assim que entrar no time vai pegar geral!
– Não exagera!
– Por que ao invés de ficarem discutindo e perdendo tempo você não vai lá logo? A garota pode ir embora a qualquer momento! – Tate lembra e o empurra na direção em que Lily está. Distraída lendo um livro e sentada em um banco de concreto ela demora para perceber a presença de Ethan.
– Olá? – Ela o cumprimenta perdida.
– Oi! Você é a Lily, né? – Ele pergunta e ela balança a cabeça confirmando – Eu sou o Ethan, nós fazemos algumas aulas juntos...
– Eu percebi, mas por que você veio falar comigo sozinho? Eu te vi com outros dois garotos o tempo todo... – Ela o questiona e ele começa a ficar nervoso por se sentir perdido naquela situação, afinal de contas a maior parte das garotas que interagiam com ele faziam parte da sua família.
– Eles foram embora antes de mim...
– Sei... E o que você quer?
– Eu-eu queria te conhecer melhor, quem sabe a gente não pode sair comigo... – Nervoso demais ele não consegue formar uma frase direito.
– Que? – Ela pergunta e acaba rindo da situação, ele apenas deseja que um buraco se abra debaixo dele para desaparecer – Olha... A minha carona chegou e eu tenho que ir...
– Espera! Você não pode me passar seu número de celular?
– Ah que fofo... Você gostou de mim foi? – Ela pergunta e começa a se reaproximar dele – Olha, apesar de você ser uma gracinha, você não acha que está nervoso demais falando com uma garota que “nem é tão bonita assim”? Vocês são muito bobos de acharem que as outras pessoas não prestam atenção no que vocês falam... Até porque foi só papinho... – Ela dá de ombros e ele a encara perdido – O seu olhar pra mim não foi de quem olhava pra uma “garota nem tão bonita assim” ... Seus amigos perceberam que você mentiu e te obrigaram a fazer o mais difícil mesmo assim... Se você quer “treinar” vai ter de procurar uma garota que você não olhe da mesma forma que olhou para mim... Agora vê se me erra... – Ela fala antes de ir embora e o deixa sem palavras.
– E aí? Por que você ficou parado aí? – Tate pergunta depois de encontrarem Ethan olhando para o nada sentado no mesmo banco em que Lily estava antes.
– Ela me deu um fora! Eu nunca tinha feito isso, não precisava ter passado por isso... – Ele responde e esconde o rosto com as mãos.
– Para com isso... Faz parte, você acha que o Tate nunca levou um fora?
– Eu não... – Tate responde e Lucas o encara furioso.
– Poxa, assim você não me ajuda, mas eu já levei alguns foras se for servir de consolo... Pensava que garotas autistas fossem mais fáceis...
– Para de falar merda, o que você sabe sobre garotas? – Tate pergunta irritado pela forma pejorativa que ele falou.
– Para de hipocrisia! Pra você é fácil falar, tá namorando e daqui a pouco vai começar a transar também...
– Vamos mudar o foco! Não esqueçam do teste para o time!